Crianças em risco nas redes sociais


As crianças e os adolescentes estão sujeitos a diversas formas de ameaças

Uma pesquisa elaborada por um grupo de entidades: Polícia Federal, Safernet Brasil, Secretaria Nacional de Direitos Humanos, Sociedade Brasileira de Pediatria, dentre outras, realizada no ano de 2015 num universo de 29,7 milhões de crianças e adolescentes entre as idades de 9 a 17 anos, revela que nesta faixa etária estão sujeitas a diversas formas de ameaças.

Os dados são alarmantes:

  • 37% dos usuários viram alguém ser discriminado na internet nos últimos 12 meses.

  • 21% dos adolescentes deixaram de comer ou dormir por causa da internet.

  • 20% dizem terem sido tratados se forma ofensiva, tipo Cyberbulling.

  • 17% procuram informação sobre forma de emagrecer.

  • 10% revelam autoagressão (self cutting)

  • 8% revelaram forma de experimentar ou usar drogas

  • 7% revelaram procurar formas de cometer suicídio.

Sobre a pornografia infantil veiculados em sites especializados houve 60 mil denúncias em 1 ano, com aproximadamente 20 mil páginas distintas, sendo que aproximadamente 6 mil foram removidas. As páginas de pornografia com envolvimento de crianças são hospedadas em 55 países.

A Sociedade Brasileira de Pediatria diante de tamanha exposição das crianças e adolescentes no mundo on-line, e diante das ameaças reais na quais muitas estão sendo vítimas, lançou um manual para médicos poderem orientar melhor os familiares a conduzir crianças e adolescentes vítimas, onde o foco da cartilha é “Saúde de criança e adolescente na era digital”.

Novamente vamos apelar para o processo preventivo: estabelecer limites , tempo de uso, o que se vê e o diálogo sobre o acesso às redes sociais. Existe nesta pesquisa um eixo de idade muito variado, de 9 a 17 anos. Neste sentido a forma educacional para cada idade varia muito.

Dos 9 aos 11 anos, a regra deve ser mais definida, e quem deve estar no comando são os pais. Por isso, que para essas idades o diálogo é orientacional e não pode ser aberto. Há necessidade de controle real. Inclusive não é indicado nem que tenham contas pessoais em redes sociais.

A partir dos 12 até os 15 anos, há mais necessidade de troca de informações. Do debate sobre o que aparece nas redes sociais. Dar liberdade para se ter contas nas redes, mas se possível monitorar, quem sabe tendo até a senha de cada conta. No caso do Whatsapp, de poder pegar o celular e entrar com a participação do adolescente. Aqui nesta idade o processo começa a ser mais aberto, de confiança, mas não se pode soltar os adolescentes para que eles definam sozinhos o tempo, o que ver, quando ver e quanto ver, como também os sigilos.

Aos 16 e 17 anos se o adolescente chega com vícios de uso nas redes sociais, o processo educativo torna-se mais tenso. Há casos de haver agressão aos pais quando começam a disciplinar o adolescente que nunca foi disciplinado, mas se na família já há um processo de monitoramento, torna-se mais tranquilo, porém acontecerão conflitos, pois nesta idade eles já estarão cheios de argumentos que acabarão se sobrepondo aos pais neste sentido. Por isso, o potencial de conhecimento dos pais em relação as redes sociais deve ser ampliado, para que o manuseio com o adolescente seja no mesmo pé de igualdade.

Mesmo que aos 16 e 17 anos o adolescente venha dar a entender que domina mais ou que já pode fazer do jeito deles, cabe aos pais a manutenção de critério, do tempo, do que se vê e como se interage. Afinal de contas, são ainda os pais os responsáveis diretos por eles.

Enfim, novamente cabe à família enfrentar esse momento de avanço tecnológico. Um caminho sem volta, e por isso um caminho que precisa ser trilhado sem omissões.


*Gerson Abarca é Psicólogo psicoterapeuta graduado pela UNESP/SP – 1990. Escritor pela Ed. Paulus. Atua na cidade de Vitória em psicoterapia de base psicanalítica para crianças adolescentes e adultos. Mentor do site: abarcapsicologo.com.br. Mais informações no telefone (27) 99992-0428 e no endereço: Rua Eugênio Neto, 488 – Ed. Praia Office – Sala 1001, Praia do Canto ( Ao lado da Igreja Sta Rita).

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