O QUE ACORDOU O GIGANTE?

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Tudo mudou: o mundo, as pessoas e a forma de protestar

Por Ricardo Pessanha

Vejo muitos criticarem, na imprensa e nas redes sociais, a falta de liderança dos protestos e carência de um objetivo específico, de uma pauta única e bem definida.

 

Acho equivocado rotular, com a devida vênia aos que entendem assim, que isso seja um problema, ou que essas características conduzam ao fracasso das expectativas dos manifestantes.

As pessoas mudaram, o mundo mudou, e também a forma de protestar. A geração de hoje não é mais a dos cara-pintadas. As redes sociais são, hoje, o principal meio de integração da sociedade e se tornam o terreno fértil para o nascimento dos movimentos e de aglutinação dos desejos coletivos.

Apesar de diferentes, o que se vê nas redes sociais é que cada nova manifestação em um novo ponto do planeta se apropria de elementos e dialoga com marchas anteriores. A máscara de Guy Fawks, do filme V de Vingança, é um elemento popularizado nos protestos contra Wall Street que poder ser visto na Praça Taksim, em Istambul, e na Praça da Sé, em São Paulo. Da mesma forma, causas locais, viram bandeiras globais, e múltiplas reivindicações, aparentemente contraditórias, dividem o mesmo espaço.

As manifestações precisam ser vistas sob a ótica da era digital e que não há nada de errado em marchas que aglutinam múltiplas causas. Pela origem e pela forma de propagação, mais difícil seria exigir uma bandeira única a guiar os protestos. As pessoas têm mapas mentais do passado, “Eu posso marchar hoje à noite contra o maltrato de animais. Você pode marchar a favor do aborto. Outro a favor de plantar mais árvores”. Esse é o legal da sociedade de rede.

A multiplicidade das causas, então, não seria um ponto negativo e com potencial para enfraquecer as manifestações, mas denotariam a vontade de construir um País melhor a longo prazo. Não podemos ser a contra a pauta de reivindicações porque ela tem 20, 30, 50 itens! Se formos olhar, todos os itens dessa pauta são legítimos. São itens que todos nós, sendo de esquerda ou de direita, queremos que sejam resolvidos.

As pessoas dizem que tem que haver uma única agenda. Não é assim. A grande agenda é a discussão sobre qual é o Brasil queremos!

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