Pode cumprimentar que vitiligo não pega

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Conheça a doença e acabe com o preconceito

Michael Jackson, Luiza Brunet, Rappin Hood são nomes famosos de portadores do vitiligo. No Brasil, mais de dois milhões de pessoas sofrem com a doença e com preconceito.

Quem ainda não se deparou com uma pessoa que tem manchas brancas na pele? O vitiligo é uma doença autoimune caracterizada pela perda gradual da coloração da pele e não é contagiosa.

De acordo com o portal da sociedade Brasileira de Dermatologia, a maioria dos pacientes de vitiligo não manifesta qualquer sintoma além do surgimento de manchas brancas na pele. Entretanto, em alguns casos, os pacientes relatam sentir sensibilidade e dor na área afetada.

Muitas pessoas com vitiligo sentem dificuldades de viver socialmente, pois a sociedade não tem acesso à informação sobre o assunto, isso é um dos fatores que acarretam na manifestação do preconceito com a doença.

A gerente comercial Wilma Dalva de Oliveira tem vitiligo conta que morou na Inglaterra durante oito anos e retornou ao Brasil há dois anos. O período em que esteve fora do país, fez com que o problema se agravasse pela ausência do sol, que tem papel fundamental no apoio ao tratamento da doença.

“A palavra que define vitiligo é incômodo. A doença atrapalha a vida, porque somos rejeitados, principalmente por pessoas de classe média baixa, que zombam e questionam se o vitiligo é contagioso. Quando entramos em lojas, alguns vendedores se afastam com medo de ser contaminados. Quem tem vitiligo tenta esconder as mãos para não sofrer com o preconceito. Eu não frequento bares ou restaurantes, porque me incomoda quando as pessoas olham para minhas mãos. Aqui, o preconceito é maior que outros estados brasileiros. Falta informação”, lamenta.

Para Wilma, o vitiligo transporta o doente para situações extremas. Ela diz que ora se desliga da doença, ora se sente incomodada.

“Quanto mais nos preocupamos, mais as manchas aumentam de tamanho, porque desestabiliza nosso emocional, por isso, tentamos fazer de conta que não temos nada”, afirma.

De acordo com Wilma, quem tem vitiligo necessita ter algumas restrições com a alimentação, devendo evitar ingerir embutidos, condimentos e outros alimentos, principalmente quando o paciente está fazendo uso de medicamentos, pois pode atrapalhar o efeito do remédio. Além disso, o paciente deve evitar o sol forte para não correr o risco de ter queimaduras.

“Quanto retornei ao Brasil tive queimadura de segundo grau nas mãos, mesmo usando o filtro solar. Fui caminhar na praia, não havia sol, e apesar de nublado, o tempo estava quente. Agora já sei como devo me comportar evitando me expôr ao sol. Devemos ficar pouco tempo no sol e somente antes das 10 horas e após as 16 horas. Às vezes precisamos usar luvas.”

O vitiligo afeta a vida emocional de quem têm a doença por isso, é necessário buscar ajuda de um psicólogo para acompanhar o tratamento.

Wilma conta que em determinado momento de sua vida não queria mais sair de casa por se sentir incomodada com a forma que é tratada. Ela relata que quando entra em coletivos, por exemplo, as pessoas a olham de forma preconceituosa e não querem tocar no mesmo local onde ela coloca suas mãos.

“Ficamos muito desestabilizados e incrédulos, porque encontramos muitas barreiras que nos impedem de viver de forma satisfatória. Geralmente o tratamento do vitiligo é feito através da associação de um dermatologista com um psicólogo, fazendo com que o resultado seja mais eficaz”.

Entenda um pouco mais sobre a doença:

Segundo o médico do trabalho Jorge Luiz de Miranda, especialista em Medicina Psicossomática e Psicologia Junguiana, vitiligo é uma doença caracterizada pela perda do pigmento natural da pele (melanina). A causa é atribuída a distúrbio imunológico que destrói os melanócitos (células que produzem melanina).

“A forma mais comum do vitiligo é se apresentar como manchas brancas bilateralmente pelo corpo, mas, a mais simples é a segmentar. O diagnóstico é clínico que pode ser confirmado por biópsia (exame histopatológico)”, informa.

Jorge diz que o tratamento do vitiligo consiste em medicamentos que atuem na resposta imunológica, semelhante ao que acontece nas alergias. 

“Essa doença é de um grupo de distúrbios denominados de autoagressão, como se organismo atacasse o próprio tecido do paciente. É um tratamento prolongado que pode durar mais de ano. O vitiligo exige um aconselhamento psicológico pois pode interferir na autoestima do paciente. Não é contagioso. É recomendado evitar exposição solar. O stress emocional pode ser um fator de desencadeamento ou agravamento do problema. O vitiligo faz parte dessas doenças que o sistema imunológico está superativo. O tratamento é com imunossupressores”, finaliza.

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